Hekate

Procul, o Procul Este Profani.

Hoje eu vim falar sobre esta frase “Procul, o Procul Este Profani.” Mas Red, como isso é relevante para a bruxaria Hekatina?

Essa frase imprega muito poder, autoridade e também é muito antiga. Quando preparamos nosso Khernips, estamos consagrando e purificando a nés mesmos e ao ambiente. Eu aprendi em Covina um encantamento:

Daí depois de um tempo fui procurar de onde vinha essa fra e aí começa nosso texto de hoje….


O encantamento utilizado na consagração do khernips dentro de práticas modernas ligadas a Hekate possui raízes muito mais antigas do que muitos imaginam. É uma adaptação ritualística feita a partir de antigas fórmulas de purificação e exclusão do profano presentes nos mistérios clássicos.

A origem da expressão latina “Procul, o procul este, profani” remonta ao Livro VI da Eneida, de Virgílio. Nesse trecho, Eneias prepara-se para descer ao Mundo Inferior guiado pela Sibila de Cumas, em um rito profundamente associado à morte, aos mistérios ctônicos e à revelação espiritual. Antes da entrada no submundo, a sacerdotisa proclama:

“Afastem-se! Afastem-se, vocês que não são iniciados!”

A frase aparece exatamente no momento em que o espaço ritual passa a ser separado do mundo comum. A presença de Hekate é sugerida na própria narrativa através dos cães que uivam na escuridão e da atmosfera liminar que antecede a descida aos mortos.

O termo profani deriva de:

  • pro = “fora”
  • fanum = “templo” ou “espaço sagrado”

Ou seja, os profani são aqueles que permanecem fora do templo, fora do mistério, não iniciados ou não autorizados a participar da operação sagrada. Já procul significa “para longe”, “afastem-se” ou “retirem-se imediatamente”.

É uma citação do Livro VI da Eneida, onde Eneias está prestes a descer ao Mundo Inferior para receber a visão do futuro de seu povo. Após fazer sua oferenda sacrificial, o vidente que preside o local profere a frase, indicando que a jornada da revelação está prestes a começar. Citarei a tradução de Fairclough [1916], para contexto:

Dentro dos antigos cultos de mistério, fórmulas desse tipo tinham a função de:

  • delimitar o espaço ritual,
  • afastar influências impuras,
  • expulsar presenças indesejadas,
  • proteger o segredo iniciático,
  • separar o sagrado do profano.

Essa ideia dialoga profundamente com o uso do khernips na bruxaria hekatina moderna. O khernips não é apenas água ritualística: ele marca simbolicamente a passagem entre o mundo cotidiano e o espaço consagrado de Hekate. Ao aspergir ou utilizar o khernips, o praticante purifica a si mesmo e o ambiente antes de entrar em contato com forças espirituais, ctônicas e liminares.

A segunda frase:

“Sit mihi fas audita loqui”

pode ser traduzida como:

“Que me seja permitido falar sobre aquilo que foi ouvido”
ou
“Que eu tenha autorização sagrada para pronunciar estas palavras.”

Ela também aparece ligada ao contexto iniciático da descida de Eneias e reforça a ideia de autorização espiritual para transmitir ou acessar mistérios ocultos.

Já a continuação em inglês:

“We banish the unworthy and unwelcome…”

é claramente uma adaptação contemporânea utilizada em círculos neopagãos, ocultistas e hekatinos modernos. Ela preserva o espírito da fórmula clássica, transformando-a em um encantamento de banimento e purificação ritual.

A frase também ganhou grande relevância dentro do ocultismo moderno através de Aleister Crowley. Crowley utilizou a fórmula em diversos textos e rituais thelêmicos, especialmente em:

  • The Rite of Saturn,
  • Liber Israfel,
  • cerimônias inspiradas nos Mistérios de Elêusis.

Nos rituais de Crowley, “Procul, O procul este profani!” aparece como uma proclamação formal de abertura do templo mágico e expulsão dos não iniciados antes da operação ritualística. Em muitos casos, ela antecede rituais de banimento, invocações e trabalhos de natureza iniciática.

Além disso, existe um equivalente grego muito conhecido:

Hekas, hekas, este bebeloi

que significa:

“Longe, longe daqui, vocês que são profanos.”

Essa fórmula aparece em tradições mistéricas gregas e acabou sendo amplamente associada às práticas modernas de purificação ligadas a Hekate.

Hoje, dentro da bruxaria hekatina contemporânea, o encantamento é frequentemente utilizado:

  • na consagração do khernips,
  • na abertura de ritos,
  • em purificações de altar,
  • antes de invocações ctônicas,
  • em trabalhos de liminaridade e necromancia,
  • na delimitação do espaço sagrado de Hekate.

Seu simbolismo permanece praticamente o mesmo desde a Antiguidade: afastar o impuro, proteger o mistério e abrir os portões do espaço sagrado apenas para aqueles preparados para atravessar a encruzilhada espiritual.

Procul, o Procul Este Profani
Autor: Aleister Crowley
Tradução: Anna Blaze (c)

Como um sussurro secreto,
ele subitamente agarra a garganta
e estrangula o traidor sem corda e sem mãos;

Assim como uma mão impura, ao pegar
um punhado de areia sagrada
, atrai fogo mortal sobre o tolo;

Assim como
o espião e o espião são cegados pelos deuses,
se o curso dos mistérios for profanado por um olhar ousado;

Assim como o
sacerdote, tendo esquecido a casa de Deus, na santa festa,
pelo poder do alimento consagrado se transforma em gado;

Como espíritos cegos do mal, eles clamam
diante da vontade da vara
, fogem em confusão e tremem nos cantos;

Como o senhor dos portões do inferno,
amaldiçoado pela palavra da sabedoria,
ele luta nos grilhões de feitiços invisíveis, envolto em chamas ardentes;

Então você também, inexperiente,
descendente da tempestade sem lei,
experimentará a ira dos feitiços, a fúria do aço em brasa!

Recobre os sentidos — vai embora, oh, vai embora!
O olho mortal não suporta
contemplar o fogo informe, a donzela que afundou na noite!

Afasta-te! E tu, ó chama secreta,
ilumina a pedra vergonhosa,
para que o nome das vigílias eternas ressoe perante os deuses!

Glorificamos o esposo da
Casa três vezes sagrada, entrelaçado com o sol,
em sua sábia testa está o sinal da palavra divina!

…Como um som sibilante e secreto
que de repente agarra a garganta
e estrangula o traidor sem corda e sem mãos…Original

Procul, o Procul Este Profani
Autor: Aleister Crowley
Este poema, um excerto da peça de Aleister Crowley, The Fatal Power (1899 )
está incluído em seu Ritual de Saturno como parte dos Mistérios de Elêusis .
Traduzido por: Anna Blaze (c)
Esta tradução está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 3.0 Não Adaptada .

Sendo assim podemos ver como é importante a pesquisa para entender o que estamos falando e assim nos conectarmos mais com nossa ancestralidade.


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